Redigindo um texto em dez longos minutos, de nada vale. Duplamente, sentados em cadeiras, colados ao ecrã. Tentando redigir algo falacioso mas que na volta pode ser verdadeiro. Duas cabeças, uma mente, um texto.
Não há caneta, não há tempo sequer, para o pensamento seguinte, é o fluido linear expresso por teclas de plástico. Braços que se transformam numa extensão do pensamento, transmitindo algo sequencial que num dia não se explica, então em dez minutos?
Explica-se mas perde a lógica na linha mais próxima do olhar, logo na próxima linha. Interligando dois conteúdos que numa cabeça perdem a lógica mas que com um pensamento conjunto e mais elaborado adquirem todo o sentido. Conjugando aprendizagens e experiências exteriores, a junção agressiva e psicológica dessas mesmas, interiorizam o comum. Debaixo da manta da casa nova, está o ainda obscuro e incerto futuro. Olhando o que está próximo, vagueio sobre o que está longe, fixo-me e volto a fixar-me no agora e na lareira que me rodeia. Lareira essa que, involuntariamente, se torna semelhante ao nosso dia-a-dia, "queima" os problemas que nos aparecem, mas o pior, é que as cinzas continuam lá. Estando as teclas em cooperação umas com as outras, vão ardendo lentamente e "queimando" o branco que define cada letra fina. Por serem tão finas perdem-se em dez minutos ou num dia que dez minutos tem. Deixam assim, de ser duas cabeças, uma mente e um texto, transformado-se num texto, uma mente e duas cabeças. Sem conclusão porque nem tudo se pode concluir, inclui em cada mente o pensamento mais irracional e inacessível que um leitor pode obter.
In 3d, Hugo Gomes, Miguel Rosa, 2010
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